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Planta africana pode ser eficaz no tratamento da dependência química

João*, 37 anos, tinha 13 quando ocorreu seu primeiro contato com as drogas. Começou inalando tíner e cola. Com o tempo, ficou dependente também de maconha, álcool, crack e cocaína. Depois de quase duas décadas imerso nessa realidade, o professor decidiu largar as drogas, já que havia perdido praticamente tudo o que tinha. “Sem contar que eu estava muito infeliz com aquela situação, vendo a minha família passar por tudo aquilo e ainda estar doente por minha causa. Foi então que decidi procurar ajuda. Fui atrás de todo tipo de tratamentos por diversas vezes, mas nenhum surtiu efeito. Saía da clínica e, imediatamente, ia para a rua comprar crack, fumava e voltava a sentir e a ter aquela sensação de prazer de que eu gostava”, recorda.

Até que um dia João descobriu, conversando com um parente, a substância que mudou a sua vida: a ibogaína, derivada da raiz da planta iboga, nativa do Gabão e de Camarões, na África. “O tratamento é maravilhoso, recomendo a todos que querem se livrar do vício. A ibogaína conseguiu fazer com que eu parasse para refletir, lembrando de experiências que sempre me fizeram mal e do quanto fiz minha mãe e minha família sofrerem. O tratamento, além de apresentar efeitos positivos em relação ao abandono das drogas, tem um poder de reflexão interior, algo que eu não tinha. Era egoísta e pouco ligava para os outros. Hoje, consigo parar e pensar muito antes de agir. Posso garantir que esse efeito é de longo prazo”, assegura o mineiro.

Cinco dicas para parar de fumar

Dizem que o ano só começa mesmo depois do carnaval e começo de ano é época de fazer as famosas ‘resoluções de ano novo’. Nessa relação, em geral, pelo menos um item costuma estar relacionado a cuidados com a saúde – entre eles, um desejo de muitos brasileiros: parar de fumar. Segundo dados do Ministério da Saúde, estima-se que, atualmente, cerca de 11% da população adulta do país seja tabagista – número inferior ao registrado em 2006, quando essa parcela representava aproximadamente 16%. Por outro lado, apesar das estatísticas otimistas, muitos ainda encaram o fim do hábito como um grande desafio.

Mas algumas dicas podem ajudar nesse processo de forma decisiva, afirma o pneumologista Ricardo Meirelles. O médico atua há mais de 20 anos no auxílio a pacientes que desejam parar de fumar e é o atual responsável pela Clínica de Cessação do Tabagismo do Grupo COI (Clínicas Oncológicas Integradas). 

Estudo comprova que prática religiosa na infância afasta jovens do alcoolismo e drogas

Uma pesquisa recente desenvolvida por pesquisadores de diferentes universidades norte-americanas constatou o que o bom senso já era capaz de supor. Frequentar atividades religiosas desde a infância é um dos hábitos mais eficazes para evitar o uso de drogas ou abuso de álcool na adolescência e juventude. O estudo foi liderado pela doutora Michelle Porche e publicado num congresso acadêmico sobre superação de vícios, na Chester University, Reino Unido.

Os pesquisadores concluíram que uma infância religiosa contribui para que o futuro jovem não tenha comportamentos de risco e acrescenta que “a religiosidade pode ser especialmente protetora durante o período de transição da adolescência à fase adulta”.

Preconceito ainda inibe busca de ajuda contra alcoolismo

Na semana em que se conscientiza sobre o alcoolismo, não podemos nos esquecer de tratá-lo como se deve: uma questão de saúde. O alcoolismo é uma doença e ela não pode continuar invisível aos olhos do cidadão e, principalmente, aos olhos do poder público.

Uma pesquisa recente, publicada no "Journal School of Health", dos Estados Unidos, mostra que o álcool –e não a maconha, como diz o senso comum– é a verdadeira "porta de entrada" para as outras drogas. Ou seja, essa é a primeira substância consumida por aqueles que mais tarde apresentam graves problemas relacionados ao uso de entorpecentes.

A doença do alcoolismo atinge cerca de 10% da população brasileira e, diferentemente de outras enfermidades como a Aids, a zika ou a dengue, ela não é tratada como tal. Para se ter uma ideia, apenas na cidade de São Paulo, a maior do Brasil, cerca de um milhão de pessoas são afetadas pelo álcool.

Outra pesquisa, esta do Comitê Científico Independente para Drogas da Grã-Bretanha, com dados mais do que alarmantes, revela que o álcool é uma droga pior até do que o crack e a heroína. O levantamento considera não só os males que o álcool causa na vida de quem usa, mas também de quem vive com o dependente e acaba sendo afetado por este drama.